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Contabilidade Em Teutônia

Por um voto, Gaúcho pagará mais ICMS

De quem foi o voto decisivo para o aumento do ICMS? De qualquer um dos 27 deputados que votaram a favor. Para conseguir o reforço de caixa que deverá garantir o pagamento dos salários em 2016, o governo cedeu em um ponto que no início era considerado inegociável pelo governador José Ivo Sartori: aceitou o aumento por três anos, uma emenda que poderá jogar o Rio Grande do Sul em nova crise em 2019. Graças a essa emenda, o Piratini garantiu o apoio do PDT.

O resultado apertado na votação do projeto que cria o Fundo de Combate à Pobreza com o aumento do ICMS de bebibas alcoólicas, cigarros, cosméticos e TV a cabo mostrou que a estratégia de Sartori de só votar os depósitos judiciais depois do ICMS funcionou. Se tivesse ampliado o uso dos depósitos antes, para não atrasar os salários, é improvável que o governo conseguisse aprovar o aumento do ICMS. Foi o temor de que se repetisse ao longo de 2016 o atraso nos salários que fez os aliados do governo darem os votos necessários a uma elevação de impostos que, na campanha, Sartori disse que só faria se a sociedade pedisse. A sociedade não pediu, mas o atraso nos salários esquentou a chapa e criou o clima que o governo precisava para aprovar um projeto impopular, que não cobre nem metade do déficit previsto para 2016.

Como o placar foi apertado, o governo será eternamente grato ao deputado Jardel (PSD). Depois de votar a favor no primeiro projeto de aumento de ICMS, Jardel, provocado pelo petista Adão Villaverde, foi à tribuna dizer que estava seguro de sua decisão e que considerava o voto a favor do ICMS o melhor para o Estado.

Sartori também será grato a Sérgio Peres (PRB), que não participou da sessão alegando problemas de saúde. Com um parlamentar a menos, os 27 votos foram suficientes. Se ele votasse contra, o presidente da Assembleia, Edson Brum, teria de dar o voto de Minerva. As votações se estenderam noite adentro porque a oposição tentou virar o jogo assegurando na Justiça a posse o suplente Junior Piaia (PC do B) no lugar de Manuela D’Ávila, que está em licença-maternidade. Piaia assumiu, mas o voto adicional da oposição não foi suficiente para impedir a vitória do governo.

 
Fonte: Zero Hora – 23/09/2015 – Página 10

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